Um dos maiores desafios da vida de um pai é o momento de sair sozinho com x rebentx para um rolê de mais de um quarteirão. Sem ajuda, sem o confortável aparato do tetê (se ainda for o caso), só você, a criança e a coragem. É um dos testes definitivos (aliado à primeira febre, a primeira doença grave, o primeiro tombaço em casa e à adaptação na escola).

Um passeio sozinho com a criança é, com o perdão do ditado, onde o filho chora e a mãe não vê. E às vezes você pode ser o filho.

O que é uma tarefa, na maioria das vezes, corriqueira para as mães, ganha tons de thriller quando é a nossa vez. O que e onde vai comer? E se tiver que trocar? E se fizer uma birra dos infernos? Tudo isso vai rolar, fique tranquilo. E toda aquela improvisação que você usou a vida inteira em vários outros campos se fará necessária.

A primeira vez que saí totalmente sozinho com o B. foi para fazer uma visita ao biso. Ele tinha 7 meses. Dez estações de metrô e um Uber pra ir, busão e metrô pra voltar, fiofó na mão o tempo todo. E se eu esquecer a mochila em algum lugar? E se ele cair? E se me roubarem o menino? Medos que com o tempo passam — embora alguns guarda-chuvas e brinquedos já tenham ficado pelo caminho, confesso.

E depois que abre a porteira, aí ninguém segura. Rolês na feira, nos Sesc, cinema, sair pra comer… em cada passeio, laços que você nem imagina vão se formando. São experiências que acredito que ficam pra sempre na memória afetiva de ambos. E que são diferentes dos passeios “em família” (no caso aqui, temos uma configuração tradicional, de pai — mãe — filho, mas isso se encaixa em qualquer que seja a sua), onde o que acontecer vai ser compartilhado com quem estiver presente.

As coisas boas e os perrengues. Histórias daquele suco sensacional que achamos juntos, a vez que ganhamos um saco de doces de um bonecão de loja e as correrias para achar um banheiro onde não tinha vão ser pra sempre “nossas”.

Esses passeios são também provas sobre conceitos como pode x não pode, comprar ou passar vontade, escolhas que temos que fazer. Ali, você é a vez de “autoridade” e sua capacidade de negociação será posta à prova.

Portanto, caro pai. Dê um descanso para a mãe no próximo fim de semana. Pegue x pequenx e vá dar uma volta. Tem um sem fim de coisas para fazer com elxs, especialmente agora nas férias, seja para botar a mão no bolso, seja para ir só pra ver, só gastando o transporte. Coragem!

Ficar sozinho com a criança é jogar no nível hard. Sair sozinho com ela é enfrentar o chefão. E conseguir vencer, sem nenhum arranhão, é das melhores sensações que tem.